Atualização:

Revista de Cultura Brasileira – número 3
Dezembro de 196203_12_1962  Clique para ler a revista

RECIFE DE DENTRO PRA FORA

O filme em 35mm mais premiado da década de 90,
desvenda o olhar do rio Capibaribe para suas margens.
Tem como base o poema O Cão sem Plumas, de João Cabral de Melo Neto,
e a Trilha sonora de Geraldo Azevedo. De forma poética mostra
as agressões ao meio ambiente, sofridas pelo rio, na sua trajetória,
até as águas ficarem limpas, de novo.
Produzido pela ARRECIFE Produções e dirigido por Katia Mesel.

 

Revista de Cultura Brasileira – número 2

02_10_1962

 

http://diposit.ub.edu/dspace/bitstream/2445/55123/1/AVdC_TESE.pdf


Em 2020 se comemora o primeiro centenário do nascimento de João Cabral de Melo Neto. Aqui, na nossa página, vamos homenageá-lo por este evento e pelo fato de ter trabalhado no Consulado do Brasil em Barcelona, em dois períodos distintos: entre 1947 e 1950 (vice-cônsul), e entre 1967 e 1970 (cônsul-geral).
Além de sua biografia (Academia Brasileira de Letras, Enciclopédia Catalã, Prêmio Reina Sofia e Enciclopédia Britânica), aqui aparecerão várias informações sobre o poeta e sua obra, atualizadas semanalmente. Haverá uma informação semanal especial: um número completo da Revista de Cultura Brasileña, dos 52 editados pela Embaixada do Brasil em Madri, por iniciativa de João Cabral de Melo Neto e dirigida por Ángel Crespo (poeta, tradutor de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa).

BIOGRAFIA

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS – https://www.academia.org.br/academicos/joao-cabral-de-melo-neto/biografia

João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade do Recife, a 9 de janeiro de 1920 e faleceu no dia 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 15 de agosto de 1968, tomou posse em 6 de maio de 1969. Foi recebido por José Américo.

Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo. Parte da infância de João Cabral foi vivida em engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Aos dez anos, com a família de regresso ao Recife, ingressou João Cabral no Colégio de Ponte d’Uchoa, dos Irmãos Maristas, onde permanece até concluir o curso secundário. Em 1938 freqüentou o Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam no Recife.

Dois anos depois a família transferiu-se para o Rio de Janeiro mas a mudança definitiva só foi realizada em fins de 1942, ano em que publicara o seu primeiro livro de poemas – “Pedra do Sono”.

No Rio, depois de ter sido funcionário do DASP, inscreveu-se, em 1945, no concurso para a carreira de diplomata. Daí por diante, já enquadrado no Itamarati, inicia uma larga peregrinação por diversos países, incluindo, até mesmo, a República africana do Senegal. Em 1984 é designado para o posto de cônsul-geral na cidade do Porto (Portugal). Em 1987 volta a residir no Rio de Janeiro.

A atividade literária acompanhou-o durante todos esses anos no exterior e no Brasil, o que lhe valeu ser contemplado com numerosos prêmios, entre os quais – Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Crime na Calle Relator” (1988).

Em 1990 João Cabral de Melo Neto é aposentado no posto de Embaixador. A Editora Nova Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, no ano de 1994, sua “Obra completa”.

A um importante trabalho de pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, deu João Cabral o título de “O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha”. Com as comemorações programadas neste final do século, relacionadas com os feitos dos navegadores espanhóis e portugueses nos anos que antecederam ou se seguiram ao descobrimento da América, e, em particular ao do Brasil, a pesquisa de João Cabral assumiu valor inestimável para os historiadores dos feitos marítimos, praticados naquela época.

Da obra poética de João Cabral pode-se mencionar, ao acaso, pela sua variedade, os seguintes títulos: “Pedra do sono”, 1942; “O engenheiro”, 1945; “O cão sem plumas”, 1950; “O rio”, 1954; “Quaderna”, 1960; “Poemas escolhidos”, 1963; “A educação pela pedra”, 1966; “Morte e vida severina e outros poemas em voz alta”, 1966; “Museu de tudo”, 1975; “A escola das facas”, 1980; “Agreste”, 1985; “Auto do frade”, 1986; “Crime na Calle Relator”, 1987; “Sevilla andando”, 1989.

Em prosa, além do livro de pesquisa histórica já citado, João Cabral publicou “Juan Miró”, 1952 e “Considerações sobre o poeta dormindo”, 1941.

Os “Cadernos de Literatura Brasileira”, notável publicação editada pelo Instituto Moreira Salles – dedicou seu Número I – março de 1996, ao poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, com selecionada colaboração de escritores brasileiros, portugueses e espanhóis e abundante material iconográfico.


GRAN ENCICLOPÈDIA CATALANA
 – 
João Cabral de Melo Neto

Recife, 1920 — Rio de Janeiro, 9 d’octubre de 1999

Diplomàtic de carrera, fou durant molts anys cònsol a Barcelona. Iniciat en la poesia hermètica a Pedra do sono (1942) i O engenheiro (1945), evolucionà cap a l’expressió de la problemàtica socioeconòmica del nord-est brasiler, la qual cosa el convertí en el poeta de més ressonància al seu país. Cal destacar Quaderna (1960), Dois parlamentos (1961) i Educação pela pedra (1966), Agrestes (1985) i Crime na Calle Relator (1987). Conreà també el teatre d’inspiració popular (Morte e vida severina, 1956), l’assaig (Joan Miró, 1950), publicat a Barcelona, i el llibre de records: Paisagens com figuras (1955), sobre la seva estada a Catalunya. Influí en la primera època de Joan Brossa, del qual prologà Em va fer Joan Brossa (1952); aquest publicà a Dau al Set versions catalanes de poemes de Cabral (1949).

 

PRÊMIO REINA SOFIA –  João Cabral de Melo Neto
https://premioreinasofia.usal.es/joao-cabral-de-melo-neto-1994/#:~:text=Recibi%C3%B3%2C%20adem%C3%A1s%20del%20Premio%20Reina,Academia%20Brasile%C3%B1a%20de%20las%20Letras.

(Recife, Brasil, 1920 – Río de Janeiro, Brasil, 1999)

João Cabral de Melo Neto es una de las figuras más representativas de la cultura y la poesía brasileñas e iberoamericanas de nuestro tiempo. Su obra es un ejemplo difícilmente superable de rigor y lucidez intelectual, tanto en lo que se refiere a la creación de un lenguaje poético propio como en cuanto atañe a la teoría de la composición…; y ello sin perjuicio de una temática cuyos polos son la denuncia de una realidad social injusta y el ascetismo intelectual y técnico del propio poeta. Históricamente, Cabral de Melo es uno de los miembros de la llamada «Generación del 45», cuyo principal órgano de expresión fue la revista carioca Orfeu (1947-1953). Su obra poética se abrió con Pedra do sono (1942) y se alarga en otros
18 volúmenes que incluyen O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), Quaderna (1969), A educação pela pedra (1966), Museu de tudo (1975), Auto do frade (1984) y se cierran con Sevilla andando (1990). Recibió, además del Premio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana (1994), el Premio Camões en Portugal/Brasil y el Neustadt International Prize for Literatura en Estados Unidos. Fue miembro de la Academia Brasileña de las Letras.

ENICLOPÉDIA BRITÂNICA – João Cabral de Melo Neto
https://www.britannica.com/biography/Joao-Cabral-de-Melo-Neto

Brazilian poet and diplomat

João Cabral de Melo Neto, (born January 6, 1920, Recife, Brazil—died October 9, 1999, Rio de Janeiro), Brazilian poet and diplomat, one of the last great figures of the golden age of Brazilian poetry.

Melo Neto was born to a distinguished family of landowners. He had a brief stint as a public servant before he moved in 1940 to Rio de Janeiro. In 1942 he published his first collection of poems, Pedra do sono (“Stone of Sleep”). Although his early work was marked by Surrealist and Cubist influences, his collection O engenheiro (1945; “The Engineer”) revealed him as a leading voice of the “Generation of ’45,” post-World War II poets notable for their austere style. In 1945 he joined the Brazilian diplomatic service and served in posts on four continents until his retirement in 1990. His poetry, however, was most influenced by his experience of Spain, and especially by the cities Sevilla (Seville) and Barcelona.

Melo Neto gained widespread popularity with Morte e vida Severina (1955; “Death and Life of a Severino”), a dramatic poem that made use of literatura de cordel, a popular narrative in verse. It was published in Duas águas, one of his more than 30 books of poetry. He was elected to the Brazilian Academy of Letters in 1968, the year that his Poesias completas was published.

Melo Neto received a number of honours and awards, including Portugal’s prestigious Camões Prize (1990) and the Neustadt International Prize for Literature (1992). When he became virtually blind in 1994, he ceased writing poetry, being unable, he said, to separate his art from visual perception.

01_06_1962 Clique aqui para ler a revista

 

FILME: RECIFE-SEVILHA
De Bebeto Abrantes

https://archive.org/details/recife-sevilla-joao-cabral-de-melo-neto-bebeto-abrantes

Documentário
“As principais entradas da poética de João Cabral de Melo Neto são Recife e Sevilha. Afora os livros a uma e a outra dedicados, há aqueles cujos versos guardam, nas entrelinhas, a experiência do homem apaixonado por essas cidades. Recife e Sevilha são uma das mais importantes sínteses da obra deste que é poeta maior da língua. Seriam cidades inconciliáveis por semelhanças e diferenças, se nelas o poeta não tivesse vivido. O Recife do menino de engenho e do rapaz mundano e a Sevilha do homem feito andarilho por força de sua carreira de diplomata. Recife e Sevilha formam o mote de seus versos mais fecundos – e do documentário ‘Recife/Sevilha – João Cabral de Melo Neto’.” (Extraído de Programadora Brasil/5)