Ricardo Navarro, aluno do sexto nível do Centro Cultural do Brasil em Barcelona ganhou a primeira fase do Concurso Machado de Assis.

Ricardo Navarro recebe os cumprimentos da professora Eliana Arruda.

Ricardo Navarro, aluno do sexto nível do Centro Cultural do Brasil em Barcelona ganhou a primeira fase do Concurso Machado de Assis, promovido pelo Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com o texto “Um livro a um Twitter”.

Agora, na segunda fase, Ricardo concorrerá com os vencedores das 23 centros culturais do Brasil em todo o mundo a um dos quatro prêmios finais de US$ 800.

Um livro a um Twitter, de Ricardo Navarro

 Ontem eu me conectei na internet como eu faço todos os dias. Fiquei surpreendido com um Twitter que vi no jornal que comemorava #150anos da Primeira obra @MachadodeAssis e uma resposta de um Livro do Machado, isso mesmo, um livro que respondeu um Twitter sobre o autor que melhor representa a literatura brasileira.

– O que tem um livro que não aparece em um milhão de twits? Perguntou o Livro.

De repente, o Twitter começou a conversar com o Livro no meio da minha tela!

– Meus twits chegam a milhões de pessoas, vocês são Papéis Avulsos.

– Você que nunca sai da sua tela…

– Eu escrevo poucas palavras e as pessoas acreditam.

– Onde está a sagacidade? O escritor é quem joga com criatividade. Você é jovem para entender que a literatura é uma realidade em si mesma.

– O Twitter é a cultura hoje. Por isso eu comemoro #150anos da Primeira obra @MachadodeAssis.

– Estou na internet, mas fui escrito em 1896. Muitas ideias da minha época estão refletidas nas obras do meu criador.

– Me pagam para publicar frases curtas. Posso contar Várias Histórias em um dia.

– Meu criador me escreveu não para me vender, mas para transmitir o que queria expressar. Eu fui criado para durar mais tempo na mente dos leitores.

– Eu vim depois de você e tenho mais hashtags publicados.

– Você só esta aqui por que foi feito pelos pensamentos escritos, vocês são Historias sem Data.

– A sociedade acredita no que ela quer. As redes sociais são mais efetivas, os livros são Memórias Póstumas.

– As minhas fábulas cultivaram conhecimento a gerações inteiras. 

– Isso é muito antigo e eu não tenho memoria, só posso contar o agora.

– Nem tudo é ruim online. Este diálogo vai ser lido por pessoas que podem continuar lendo Machado nos livros.

– Mas na tela o leitor tem resultados e respostas imediatas.

–  Com o tempo você vai perceber que as pessoas não vão te seguir e esquecerão esta atualidade. Os contos escritos ficarão na memória.

–  Os contos são só fabulas que…

De repente a internet se apagou! Então lembrei do livro do Machado e pensei que se algum dia internet deixasse de funcionar, sempre teria um livro para encher os meus momentos. Não sei se estava sonhando ou foi uma fábula que li no jornal.