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Rosangela Petta desvenda os segredos do processo de criação literária

Pelas salas do Centro Cultural do Brasil em Barcelona, como recordou nosso diretor Wagner Novaes, passaram personalidades como Eduardo Coutinho, Paulo Freire e Joãosinho Trinta.  Na última quinta-feira foi a vez de Rosangela Petta, jornalista, escritora, consultora em creative writing e coach em escrita de ficção e não ficção.

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Matrículas para cursos de lengua y cultura de Brasil

El Centro Cultural de Brasil em Barcelona ofrece nuevos cursos de lengua portuguesa y cultura para el próximo cuatrimestre académico. Las matrículas empiezan hoy.

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Diálogos da APEC discutirá transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

 

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes: interfaces entre o normal e o patológico é o tema da palestra que acontece no próximo dia 29, às 16 horas, no Centro Cultural do Brasil em Barcelona (CCBBcn). A atividade dá início à série Diálogos da APEC de 2019, promovida pela Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na Catalunha (APEC) e apoio do CCBBn.

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Festival Sereia celebra a cultura popular brasileira em Barcelona

O Festival Sereia de forró e cultura popular brasileira celebra sua primeira edição entre os dias 1 e 3 de fevereiro, coincidindo com as festas de Yemanjá e Candelária.
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Participe do Coral Villa-Lobos

O Coral Villa-Lobos está com as inscrições abertas para novos cantores. Não é necessário ter experiência, só soltar a voz!
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Lingua Mater promove português como língua de herança

Andreia Moroni

Andreia Moroni é apaixonada por línguas e dedica sua vida à pesquisa e ao ensino do português como língua de herança (PLH). Brasileira de Campinas, vive em Barcelona desde 2004, lugar em que nasceram seus dois filhos. Conversamos com ela sobre sua nova iniciativa, a Lingua Mater, um serviço com importantes recursos para os pais que desejam transmitir sua língua materna no âmbito familiar. Graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Autônoma de Barcelona e um doutorado duplo em Linguística Aplicada na Unicamp e em Estudos Linguísticos, Literários e Culturais pela Universidade de Barcelona, Moroni também é fundadora da Associação de Pais de Brasileirinhos na Catalunha (APBC).

O que é uma língua de herança?

Uma língua de herança é uma língua minoritária, ou seja, usada por um grupo reduzido de pessoas, em um lugar em que ela não é língua oficial. É “de herança” porque costuma ser transmitida pela família, nos usos do dia a dia. No caso do português brasileiro, o “português língua de herança” é o português usado por filhos e netos de brasileiros que moram fora do Brasil.

É muito importante lembrar que uma língua de herança nunca está sozinha, sempre está acompanhada da língua majoritária do lugar em que quem usa a língua de herança está. Aqui na Catalunha, por exemplo, os usuários de português língua de herança não sabem só português, sabem também castelhano e catalão. Aliás, muito provavelmente saberão melhor uma dessas línguas que o português, já que elas são mais usadas por eles em seu dia a dia que o português, que costuma ficar restrito às situações domésticas e familiares.

Outra característica das línguas de herança é que os conhecimentos do grupo que a usa são muito heterogêneos. Tem quem sabe e usa muito a língua, tem quem entende bem, mas fala um pouco; quem entende tudo, mas não se sente à vontade pra falar; quem entende só um pouco… enfim, o cenário é variado porque o grupo tem mais de uma língua circulando e pode interagir também na outra língua.

 

Como surgiu a ideia de criar a Lingua Mater? 

Depois de anos de estudo e atuação com o português como língua de herança, com crianças e famílias principalmente de Barcelona, ficou claro que o papel da família na transmissão é um grande diferencial. O trabalho feito em casa tem um grande peso na fluência e competência que as crianças podem desenvolver em português.

A Lingua Mater surge para apoiar as famílias que desejam transmitir o português aos filhos a estruturar da melhor forma possível esse caminho dentro de casa. É um apoio bem personalizado, já que cada família é um mundo. Depende de se os pais são casados ou separados, se os dois são brasileiros ou não, do país em que moram, da idade dos filhos etc.

Apoiar essas famílias não significa apenas ensiná-los a ensinar a língua aos filhos (coisa que muitos já sabem), mas também ajudá-los a trabalhar expectativas, a entender os processos de comunicação plurilíngues e entender-se a si mesmos como sujeitos que falam mais de uma língua.

 

Por que se preocupar em ensinar português aos filhos se toda a família mora em outro país? 

Gosto de lembrar que não é toda família de origem brasileira emigrada que tem essa preocupação ou prioridade, e isso deve ser respeitado. A língua que você usa com seu filho não faz de você um pai ou mãe melhor ou pior. Não sabemos como é a experiência migratória de cada um. Existe gente que emigrou e realmente deseja cortar laços com o passado que deixou no Brasil, e, nesses casos, manter o português pode não fazer sentido.

Na minha experiência, o desejo de que os filhos saibam português existe quando o pai ou a mãe quer manter o vínculo com o Brasil, quer que a criança possa conversar com os avós, tios, primos, que ela possa se comunicar quando estiver lá de visita, ou existe quando se contempla a possibilidade de voltar a morar no Brasil no futuro. Ou seja, há um fator afetivo que costuma ser mais importante que o simples fato de que o filho saiba um idioma adicional como um diferencial no currículo na hora de procurar um emprego no futuro – que também existe, mas é menos importante para essas famílias.

Em geral os brasileiros não sabem, mas o português é uma das línguas mais faladas do mundo e mais usadas na internet. Ou seja: é uma língua que abre portas em um mundo globalizado.

 

Quais fatores podem influenciar o sucesso da transmissão linguística? 

A motivação dos pais para transmitir a língua seria o primeiro. Os adultos precisam expor a criança à língua de herança – uma decisão que pode ser tomada de forma consciente ou inconsciente. Ter uma boa quantidade de input (exposição) ao português é um fator determinante. Quanto mais exposição, mais se aprende a língua.

Contato com falantes que não compartilhem o repertório plurilíngue da criança, ou seja, que só falem português, é outro. Por exemplo, videochamadas ou receber a visita de parentes e amigos em casa, os quais falem português, mas não o espanhol ou o catalão.

Logicamente, a possibilidade de viajar ao Brasil e passar períodos lá é ótimo para aprender, pois é a oportunidade de estar em contexto de imersão, onde as outras línguas do repertório linguístico não funcionam, o que obriga a usar mais e mais o português.

 

Alguma outra dica para as famílias?

Para os que desejam que o filho ou filha aprenda a ler e escrever, contato com materiais escritos, principalmente livros, e o hábito de leitura na família ajudam. Ler para a criança em português, desde pequena, e fazer leituras compartilhadas em voz alta quando já estão maiores, são boas estratégias.

Para os adolescentes que já têm celular, conversar com mensagens de texto por WhatsApp com familiares é muito bom, pois o corretor ortográfico ajuda na produção de texto e é uma forma de ir aprendendo e melhorando a ortografia

A qualquer momento, participar de aulas de português como língua de herança ajuda a reforçar e complementar todo esse trabalho, além de valorizar o português como língua útil para a comunidade, ou seja, mostrar na prática que não é uma língua falada só por aquela família, mas por muitas famílias como aquela.

 

Por que algumas crianças se recusam a falar português, apesar dos esforços dos pais? Como lidar com essa resistência?

Primeiramente, porque o português, no caso da língua de herança, é usado em um contexto plurilíngue, ou seja: o mundo ao redor fala outra língua, inclusive os pais. Não faz sentido esperar que, nesse contexto, o português seja a única e principal língua usada. Interações em mais de uma língua são normais e esperadas em contextos plurilíngues.

Para driblar essa dinâmica, o primeiro que o adulto deve fazer é não desanimar e continuar a usar o português, mesmo que as respostas da criança sejam em outra língua.

Eu sou contra a ideia de forçar o uso da língua, acredito que esse uso precisa ser prazeroso para conectar com toda uma bagagem afetiva que em geral os pais também desejam transmitir às crianças.

Uma estratégia prática é repetir a resposta dada em outra língua em português. Também procurar aumentar o contato com outros falantes de português, no lugar de residência ou com as viagens no Brasil.

Temos que ser criativos e sensíveis, além de ter muita constância nesse propósito. Mesmo que as respostas não venham em português, há um processo de exposição à língua e aprendizado nessas interações. Devemos persistir e continuar, se o desejo da família é de que os filhos possam falar português.

 

É mais fácil aprender o português em um contexto de línguas similares, como em Barcelona (catalão e castelhano), que em outros?

Sim, quanto mais próximas as línguas, mais fácil fica. Aqui, temos as facilidades da intercompreensão de línguas românicas com o catalão e o castelhano a nosso favor. É bem mais fácil ensinar o usuário de português língua de herança a ler em português nesse contexto. Temos o mesmo alfabeto e muitos sons parecidos. O caminho a percorrer é maior para as crianças de origem brasileira que moram no Japão, por exemplo, pois o japonês utiliza outros alfabetos e, além das línguas serem muito mais diferentes, o sistema de escrita é outro.

 

Existe algum limite de idade para investir no aprendizado do português? É possível começar em qualquer momento?

Quanto mais cedo começar, melhor, de preferência ainda na barriga da mãe. Mas eu acho que nunca é tarde para se aprender línguas e às vezes percebo que para alguns pais parece o fim do mundo que uma criança de quatro ou cinco anos não fale português. Parece que eles se esquecem do próprio trajeto que percorreram para aprender o idioma do lugar que escolheram para morar, algo que em geral aconteceu na vida adulta. Vejo pais e mães que começaram a aprender a língua do lugar em que moram já adultos e hoje são usuários competentes dessas línguas. Então, é bom lembrar que essas crianças vão ter a vida toda para aprender português. E que, embora talvez não falem português em um ambiente em que a maioria das pessoas usa outra língua, o fato de ela entender já é um sinal importante que ela sabe, sim, bastante desse idioma.

Acesse a revista Filme Cultura online

A Filme Cultura é uma revista histórica, criada em 1966 e retomada em 2017. Trata-se da revista mais antiga dedicada a cinema no país,  que havia deixado de ser publicada com a desmobilização progressiva da Embrafilme nos últimos anos da década de 1980. Atualmente, é um espaço para divulgar, refletir e debater o cinema brasileiro, além de incentivar a formação de novos pesquisadores e aproximar o público do audiovisual nacional.

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Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Cláudio Pastro-Mistérios gozosos

Cláudio Pastro – Mistérios gozosos

Cláudio Pastro (São Paulo, 1948-2016) era considerado por especialistas de arte sacra como o brasileiro mais expressivo da atualidade nesta área. Grande devoto da espiritualidade beneditina, recebeu o título de oblato. Reconhecido internacionalmente, realizou trabalhos em vários países como Itália, Alemanha, França e Espanha

Sua refinada arte pode ser admirada em centenas de capelas, igrejas, catedrais e mosteiros espalhados pelo Brasil e no exterior, nos quais foi responsável pelos projetos arquitetônicos, pinturas, vitrais, azulejos, altares e peças litúrgicas.

Em reconhecimento por sua relevante contribuição à arte sacra, Pastro recebeu o título de Doutor Honoris Causa, em 2007, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Desde 1975, Pastro se dedicava à arte sacra, tendo cursado teoria e técnicas de arte na Abbaye Notre Dame de Tournay (França), no Museu de Arte Sacra da Catalunha (Espanha), na Academia de Belas Artes Lorenzo de Viterbo (Itália), na Abadia Beneditina de Tepeyac (México) e no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Desde o ano de 2000, Cláudio Pastro teve a incumbência de cuidar de toda a arte da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O artista também foi o responsável pela criação de todas as peças litúrgicas que o Papa Francisco utilizou na celebração das missas realizadas em Aparecida e no Rio de Janeiro em 2013.

Entre as obras mais recentes, está o memorial a Nossa Senhora Aparecida, inaugurado pelo Papa Francisco nos Jardins do Vaticano no início de setembro de 2016.

Coral Villa-Lobos canta o Natal do Brasil

O Coral Villa-Lobos, como já é tradição nesta época do ano, confirma as datas de suas apresentações natalinas:

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Estátua da escritora Clarice Lispector e seu cão Ulisses no Leme, Rio de Janeiro. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Para recordar Clarice Lispector, nascida em um dia como hoje há 98 anos, publicamos um texto de seu livro “Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres”. A Hora de Clarice é um evento lançado em 2011 pelo Instituto Moreira Salles, com a proposta de fazer com que a data de nascimento da escritora seja comemorada e faça parte do calendário cultural do Brasil e de outros países.

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