Author: Vanessa Buaszik Matiello

Lingua Mater promove português como língua de herança

Andreia Moroni

Andreia Moroni é apaixonada por línguas e dedica sua vida à pesquisa e ao ensino do português como língua de herança (PLH). Brasileira de Campinas, vive em Barcelona desde 2004, lugar em que nasceram seus dois filhos. Conversamos com ela sobre sua nova iniciativa, a Lingua Mater, um serviço com importantes recursos para os pais que desejam transmitir sua língua materna no âmbito familiar. Graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Autônoma de Barcelona e um doutorado duplo em Linguística Aplicada na Unicamp e em Estudos Linguísticos, Literários e Culturais pela Universidade de Barcelona, Moroni também é fundadora da Associação de Pais de Brasileirinhos na Catalunha (APBC).

O que é uma língua de herança?

Uma língua de herança é uma língua minoritária, ou seja, usada por um grupo reduzido de pessoas, em um lugar em que ela não é língua oficial. É “de herança” porque costuma ser transmitida pela família, nos usos do dia a dia. No caso do português brasileiro, o “português língua de herança” é o português usado por filhos e netos de brasileiros que moram fora do Brasil.

É muito importante lembrar que uma língua de herança nunca está sozinha, sempre está acompanhada da língua majoritária do lugar em que quem usa a língua de herança está. Aqui na Catalunha, por exemplo, os usuários de português língua de herança não sabem só português, sabem também castelhano e catalão. Aliás, muito provavelmente saberão melhor uma dessas línguas que o português, já que elas são mais usadas por eles em seu dia a dia que o português, que costuma ficar restrito às situações domésticas e familiares.

Outra característica das línguas de herança é que os conhecimentos do grupo que a usa são muito heterogêneos. Tem quem sabe e usa muito a língua, tem quem entende bem, mas fala um pouco; quem entende tudo, mas não se sente à vontade pra falar; quem entende só um pouco… enfim, o cenário é variado porque o grupo tem mais de uma língua circulando e pode interagir também na outra língua.

 

Como surgiu a ideia de criar a Lingua Mater? 

Depois de anos de estudo e atuação com o português como língua de herança, com crianças e famílias principalmente de Barcelona, ficou claro que o papel da família na transmissão é um grande diferencial. O trabalho feito em casa tem um grande peso na fluência e competência que as crianças podem desenvolver em português.

A Lingua Mater surge para apoiar as famílias que desejam transmitir o português aos filhos a estruturar da melhor forma possível esse caminho dentro de casa. É um apoio bem personalizado, já que cada família é um mundo. Depende de se os pais são casados ou separados, se os dois são brasileiros ou não, do país em que moram, da idade dos filhos etc.

Apoiar essas famílias não significa apenas ensiná-los a ensinar a língua aos filhos (coisa que muitos já sabem), mas também ajudá-los a trabalhar expectativas, a entender os processos de comunicação plurilíngues e entender-se a si mesmos como sujeitos que falam mais de uma língua.

 

Por que se preocupar em ensinar português aos filhos se toda a família mora em outro país? 

Gosto de lembrar que não é toda família de origem brasileira emigrada que tem essa preocupação ou prioridade, e isso deve ser respeitado. A língua que você usa com seu filho não faz de você um pai ou mãe melhor ou pior. Não sabemos como é a experiência migratória de cada um. Existe gente que emigrou e realmente deseja cortar laços com o passado que deixou no Brasil, e, nesses casos, manter o português pode não fazer sentido.

Na minha experiência, o desejo de que os filhos saibam português existe quando o pai ou a mãe quer manter o vínculo com o Brasil, quer que a criança possa conversar com os avós, tios, primos, que ela possa se comunicar quando estiver lá de visita, ou existe quando se contempla a possibilidade de voltar a morar no Brasil no futuro. Ou seja, há um fator afetivo que costuma ser mais importante que o simples fato de que o filho saiba um idioma adicional como um diferencial no currículo na hora de procurar um emprego no futuro – que também existe, mas é menos importante para essas famílias.

Em geral os brasileiros não sabem, mas o português é uma das línguas mais faladas do mundo e mais usadas na internet. Ou seja: é uma língua que abre portas em um mundo globalizado.

 

Quais fatores podem influenciar o sucesso da transmissão linguística? 

A motivação dos pais para transmitir a língua seria o primeiro. Os adultos precisam expor a criança à língua de herança – uma decisão que pode ser tomada de forma consciente ou inconsciente. Ter uma boa quantidade de input (exposição) ao português é um fator determinante. Quanto mais exposição, mais se aprende a língua.

Contato com falantes que não compartilhem o repertório plurilíngue da criança, ou seja, que só falem português, é outro. Por exemplo, videochamadas ou receber a visita de parentes e amigos em casa, os quais falem português, mas não o espanhol ou o catalão.

Logicamente, a possibilidade de viajar ao Brasil e passar períodos lá é ótimo para aprender, pois é a oportunidade de estar em contexto de imersão, onde as outras línguas do repertório linguístico não funcionam, o que obriga a usar mais e mais o português.

 

Alguma outra dica para as famílias?

Para os que desejam que o filho ou filha aprenda a ler e escrever, contato com materiais escritos, principalmente livros, e o hábito de leitura na família ajudam. Ler para a criança em português, desde pequena, e fazer leituras compartilhadas em voz alta quando já estão maiores, são boas estratégias.

Para os adolescentes que já têm celular, conversar com mensagens de texto por WhatsApp com familiares é muito bom, pois o corretor ortográfico ajuda na produção de texto e é uma forma de ir aprendendo e melhorando a ortografia

A qualquer momento, participar de aulas de português como língua de herança ajuda a reforçar e complementar todo esse trabalho, além de valorizar o português como língua útil para a comunidade, ou seja, mostrar na prática que não é uma língua falada só por aquela família, mas por muitas famílias como aquela.

 

Por que algumas crianças se recusam a falar português, apesar dos esforços dos pais? Como lidar com essa resistência?

Primeiramente, porque o português, no caso da língua de herança, é usado em um contexto plurilíngue, ou seja: o mundo ao redor fala outra língua, inclusive os pais. Não faz sentido esperar que, nesse contexto, o português seja a única e principal língua usada. Interações em mais de uma língua são normais e esperadas em contextos plurilíngues.

Para driblar essa dinâmica, o primeiro que o adulto deve fazer é não desanimar e continuar a usar o português, mesmo que as respostas da criança sejam em outra língua.

Eu sou contra a ideia de forçar o uso da língua, acredito que esse uso precisa ser prazeroso para conectar com toda uma bagagem afetiva que em geral os pais também desejam transmitir às crianças.

Uma estratégia prática é repetir a resposta dada em outra língua em português. Também procurar aumentar o contato com outros falantes de português, no lugar de residência ou com as viagens no Brasil.

Temos que ser criativos e sensíveis, além de ter muita constância nesse propósito. Mesmo que as respostas não venham em português, há um processo de exposição à língua e aprendizado nessas interações. Devemos persistir e continuar, se o desejo da família é de que os filhos possam falar português.

 

É mais fácil aprender o português em um contexto de línguas similares, como em Barcelona (catalão e castelhano), que em outros?

Sim, quanto mais próximas as línguas, mais fácil fica. Aqui, temos as facilidades da intercompreensão de línguas românicas com o catalão e o castelhano a nosso favor. É bem mais fácil ensinar o usuário de português língua de herança a ler em português nesse contexto. Temos o mesmo alfabeto e muitos sons parecidos. O caminho a percorrer é maior para as crianças de origem brasileira que moram no Japão, por exemplo, pois o japonês utiliza outros alfabetos e, além das línguas serem muito mais diferentes, o sistema de escrita é outro.

 

Existe algum limite de idade para investir no aprendizado do português? É possível começar em qualquer momento?

Quanto mais cedo começar, melhor, de preferência ainda na barriga da mãe. Mas eu acho que nunca é tarde para se aprender línguas e às vezes percebo que para alguns pais parece o fim do mundo que uma criança de quatro ou cinco anos não fale português. Parece que eles se esquecem do próprio trajeto que percorreram para aprender o idioma do lugar que escolheram para morar, algo que em geral aconteceu na vida adulta. Vejo pais e mães que começaram a aprender a língua do lugar em que moram já adultos e hoje são usuários competentes dessas línguas. Então, é bom lembrar que essas crianças vão ter a vida toda para aprender português. E que, embora talvez não falem português em um ambiente em que a maioria das pessoas usa outra língua, o fato de ela entender já é um sinal importante que ela sabe, sim, bastante desse idioma.

Eduardo Nóbrega visita Coral Villa-Lobos

A alegria e entusiasmo do maestro Eduardo Nóbrega invadiu ontem o Centro Cultural do Brasil para ministrar uma master class aos membros do Coral Villa-Lobos. Neste período, foi trabalhada a música “A Vida de Viajante de Luiz Gonzaga”, com um arranjo sugerido pelo professor, com um enfoque na questão performática através da dança e do estilo popular característico do nordeste brasileiro.

O maestro Eduardo Nóbrega é professor de regência coral da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), regente do Coral Universitário Gazzi de Sá e diretor artístico do Festival Paraibano de Coros (FEPAC), que teve a sua 25ª edição em 2017. Também é autor do livro “Orquestra Sinfônica da Paraíba: Trajetória Artística e Dimensões Socioculturais”.

A troca de experiências entre o maestro paraibano e o Coral Villa-Lobos foi enriquecedora e contribuiu para divulgar a cultura brasileira entre os membros do coral, formados por brasileiros e espanhóis.

Para participar do coral, basta gostar de música. A atividade é gratuita e os ensaios são às segundas-feiras, das 13h às 15h, ou quintas-feiras, das 17h às 18h40min, no CCBBcn.

O maestro Eduardo Nóbrega (centro) com os alunos do coral.

 

 

Inscreva-se para o Celpe-Bras até 2 de março

Celpe-Bras 2015-1

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